terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Parar e cheirar as rosas...

Os cães conhecem e vivem o mundo através do seus narizes. Ao contrário de nós humanos que usamos mais a visão, do que o olfato, nas nossas experiências quotidianas.

Cheirar é mentalmente estimulante para um cão. É assim que ele "vê" o que se tem passado no seu meio ambiente e fica a par de todos os "pee-mails" das redondezas. 
O nariz canino é muito mais potente do que o nariz humano. A nós cheira-nos a molho de esparguete, mas eles conseguem detetar cada ingrediente daquele molho individualmente.

Ademais, o chamado "nosework" é uma forma super fácil de libertar energia e diminuir níveis de stress. O cão fica satisfeito, cansado e renovado mentalmente.

Assim, vamos deixar os nossos cães parar e "cheirar as rosas". Ou seja, deixá-los explorar o seu mundo olfativo à vontade; deixá-los usar intensamente os narizes.
Afinal de quem é o passeio?




Plena satisfação

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A Vida Emocional dos Animais - Extrato I

“Precisamos de uma ética sem limites que inclua também os animais (…) Está a chegar o tempo em que as pessoas ficarão admiradas por a raça humana ter existido tanto tempo sem ter reconhecido que o prejuízo impensado à vida é incompatível com uma verdadeira ética. A ética na sua forma não qualificada alarga a sua responsabilidade a tudo o que tem vida” – Albert Schweitzer.

Aqui fica um primeiro extrato do fantástico livro de Marc Bekoff, PhD, “A Vida Emocional dos Animais – A importância da alegria, da tristeza e da empatia dos animais estudada por um cientista”.

Devemos refletir sobre o facto de muitos animais sentirem paixão e sofrimento – sentem amor e dor – e depois considerar todos os modos com que tratamos atualmente os animais na nossa sociedade e decidir o que está certo e o que está errado. Quando reconhecemos algo que está errado devemos trabalhar para mudar.

Os animais são companheiros com quem partilhamos as nossas casas. São o nosso alimento. Estão em exibição nos nossos jardins zoológicos e enchem os nossos laboratórios de investigação científica. Também vivem “livremente” no seu ambiente natural, nas margens de uma civilização humana que os invade constantemente. Precisamos de olhar para todas essas áreas e decidir se estamos a cuidar devidamente dos animais. Frequentemente, não cuidamos e, como sociedade, temos muitos motivos para termos vergonha pela forma como interagimos com outros animais. Precisamos de mais verificações e balanços nas nossas interações. Subestimamos e silenciamos os sentimentos por rotina.

A existência de sentimentos é a principal razão para cuidarmos melhor dos animais. As questões que dizem respeito aos sentimentos são importantes e extremamente difíceis, mas também temos de distinguir entre sentimento e saber. O bem-estar centra-se no que os animais sentem, não no que sabem. Será que realmente importa se os macacos num jardim zoológico, as ratazanas num laboratório ou as vacas numa quinta alguma vez entendem o que se está a passar à sua volta, ou o que os seres humanos lhes estão a fazer, se conseguem sentir dor e sofrer? Os animais nestas situações dependem completamente de nós e o seu comportamento diz-nos quando estão saudáveis e felizes, ou tristes e a sofrer. Os animais não conseguem ligar para o 112 numa emergência; dependem da nossa boa vontade e compaixão. Embora os animais não possam consentir na forma como são tratados, protestam certamente publicamente quando estão a sofrer. A sua dor é fácil de ver e é ignorada demasiadas vezes.
(…)
Contudo, saliento que muitas vezes aquilo que passa por “bom cuidado” na nossa sociedade simplesmente não é suficiente. Os seres humanos fazem muitas vezes distinções entre a forma como tratam os animais “espertos” e os animais “burros” e, especialmente em contextos institucionais, o cuidado dos animais habitualmente deteriora-se quando se torna menos conveniente (ou seja, menos rentável ou um impedimento ao “progresso”). Isto não é bom que chegue. Precisamos de prestar o melhor cuidado a todos os animais constantemente e trabalhar no sentido de não os usarmos de todo.
(…)
No que se refere às nossas relações com os animais, a nossa visão de quem eles são e o que significam para nós exige que mudemos a forma como sempre os tratámos. Sabemos que os seres animais não são “coisas” que existem para nossa conveniência. Os animais são seres subjetivos que têm sentimentos e pensamentos e merecem respeito e consideração. Não temos o direito de os subjugar ou dominar para nosso proveito egoísta – para melhorar as nossas vidas piorando as dos animais. Além disso, sendo nós próprios seres com consciência de nós próprios e com sentimentos, conseguimos reconhecer o sofrimento e somos obrigados a diminuí-lo sempre que pudermos. Ao tomar decisões que ajudam os animais, acrescentamos compaixão e não crueldade a um mundo “ferido”, como lhe chama o ecologista Paul Ehrlich.


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Uma aventura… no hospital veterinário! Parte 2

No dia da consulta, pensava eu que ia só passear de carro, saltei todo contente para o banco de trás e lá fui eu de beiças ao vento. Chegamos ao local do hospital e eu saí do carro todo contente, mas quando me deparei com a porta de entrada estanquei e colei as 4 patas ao chão. A minha humana teve de me levar ao colo para a sala de espera onde eu procedi de imediato a esconder-me debaixo da cadeira mais próxima. É que não gosto nada de sítios que não conheço, ainda por cima com várias pessoas estranhas a olhar para mim.
 
Esperamos um pouco, pois o médico especialista em ortopedia estava a terminar uma cirurgia, e de repente chamam o meu nome para entrar no gabinete. Novo estancanço e nova ida ao colo, entramos no gabinete do médico.
Fui outra vez apalpado nas minhas perninhas e tronco, tendo o Sr. Dr. concluído que o procedimento seguinte era tirar-me uma radiografia (parece-me que falaram na hipótese de uma TAC, mas com os meus sintomas não se justificava). E, assim, o Sr. Dr. pega em mim, põe-me debaixo do braço e eu, com um gemido de incerteza, lá fui rumo à sala dos tais raios X.
 
Quando voltei ao gabinete para ter com a minha humana, que estava acompanhada pela minha avozinha, vinha a arfar muito, até parecia que tinha corrido a meia maratona, mas não, eram só uns nervositos por estar longe da minha família.
 
Por esta altura já estava mais habituado ao Sr. Dr. que até era um tipo bem simpático e atencioso, e afinal não me queria fazer mal nenhum (até disse que eu me tinha portado muito bem e tinha ficado muito quietinho, conforme me tinha pedido).
 
De seguida, em simultâneo com a visualização das radiografias no PC, explicou todos os pormenores do meu caso clínico, tendo referido que tenho luxação dos joelhos, (estando o esquerdo pior do que o direito) e que, desta forma, terei de ser operado a cada joelho para corrigir a situação, evitando dores quando ando, formação de artroses ou roturas de ligamentos.
 
As minhas humanas ficaram um pouco apreensivas e fizeram muitas perguntas para entenderem bem a situação, como seriam as operações e a recuperação. Parece que vou ter de usar um daqueles “colares da vergonha” depois da operação, não vou poder saltar para lado nenhum, nem subir ou descer escadas, e vou ter de fazer passeios pequeninos (assim, como é que vou ter tempo para encontrar as minhas namoradas caninas?).
 

O Sr. Dr. concluiu a consulta com a indicação que tenho peso a mais (ou seja, estou um bocado para o badocha) e que tenho de fazer dieta. Por isso, nada de biscoitos e vou passar a comer uma comida xpto, boa para as articulações e menos calórica também. Será saborosa? Espero bem que sim.
 
Quando a consulta acabou e saímos para fazer o pagamento na receção, eu só queria era ir lá para fora, cheirar e fazer xixi em todas as árvores das redondezas que, por acaso, estavam cheias de mensagens caninas deixadas por outros pacientes do hospital. E foi o que fiz com muita alegria.
 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Uma aventura… no hospital veterinário! Parte 1

Pois é, e assim começa uma nova fase da minha vida de cão…
 
Ontem fui a uma consulta de checkup na minha Clínica Veterinária, fui examinado da cabeça aos pés e foram-me descobertas algumas mazelas menores, mas quando o Médico Vet me quis levantar as patas traseiras reparou nuns estalidos esquisitos que vinham dos meus joelhinhos… Começou a ver melhor, puxou as minhas patinhas traseiras, fez-lhe rotações de todas as espécies, apalpou-as e concluiu que eu tenho subluxação dos joelhos.
 
Eu já andava com algumas dores de vez em quando, mas nunca tinha dito nada aos meus humanos para não se preocuparem comigo. Mas depois desta sessão clínica fiquei todo dorido e fui para casa a ganir um bocadinho. À noite quando fui dar uma volta pelo bairro também gani às vezes e custa-me a fazer certos movimentos, como subir e descer escadas.
 
Quando os meus humanos me quiseram fazer festas também gani e virei-me para trás para lhes mostrar que me dói bastante aquela zona.
 
Posto isto, a minha humana decidiu que o melhor é eu ir a uma consulta de especialidade de ortopedia no hospital veterinário para ser acompanhado mais de perto e assim evitar ao máximo que a minha condição progrida. Afinal ainda tenho só 6 anos, ainda sou muito novo para já ter problemas nos meus joelhinhos.
 
A consulta é daqui a uma semana, mas já estou um pouco nervoso. Será que me vão fazer radiografias? Ou uma TAC? E depois, terei de fazer fisioterapia naquela piscina cheia d’água? É que não gosto muito de me meter dentro d’água… Estou um pouco preocupado com tudo isto, mas a minha humana diz que é para meu bem, para me sentir bem e sem dores.
 
Depois conto como correu a minha consulta no hospital veterinário. Wish me luck…
 
 
Listen With Your Eyes to Tell if Your Pet is in Pain

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Os humanos não são mais inteligentes que os animais, apenas diferentes!

Os seres humanos sempre se consideraram superiores e a espécie mais inteligente do planeta, principalmente devido à dimensão do cérebro e à capacidade de raciocínio. No entanto, podemos não ser tão inteligentes como pensamos… De facto, os animais podem ter capacidades cognitivas superiores às dos seres humanos.
 
Os humanos têm interpretado incorretamente a inteligência animal, pois há diferentes tipos de inteligência e os animais são inteligentes de formas únicas! Formas que até os seres humanos, supostamente superiores, não conseguem aplicar.
 
Os animais apresentam diferentes tipos de inteligência (incluindo inteligência social e cinestésica) que têm sido desconsiderados devido à fixação humana na linguagem e na tecnologia.
 
Por exemplo, os golfinhos comunicam através de ecolocalização, as hienas têm locais de rede baseados no odor, os coalas (assim como muitos quadrúpedes) também deixam complexas marcações olfativas no seu meio ambiente. Os humanos com a sua limitada capacidade olfativa, nem conseguem atingir a complexidade das mensagens contidas naquelas marcações, que podem ser tão, ou mais, ricas em informação do que o mundo visual.
 

 
Alguns mamíferos, como os gibões, podem produzir um elevado número de sons variados, mais de 20 sons diferentes com significados claramente distintos, que lhes permitem comunicar através da densa vegetação da floresta tropical.
 
Os animais de estimação até conseguem transmitir-nos as suas necessidades e fazer-nos atuar para lhes dar o que eles querem.
 
Assim, de uma forma geral, os animais possuem capacidades diferentes que têm sido mal interpretadas pelos seres humanos. O facto de os animais não nos conseguirem entender e de nós não os conseguirmos entender a eles, não significa que as nossas inteligências se encontrem em níveis diferentes, apenas são de tipos diferentes.

"Apesar de a linguagem ser uma habilidade única do Homo sapiens entre as espécies vivas, não é necessária uma exploração aprofundada no domínio da biologia para encontrar habilidades únicas de uma particular espécie dentro do reino animal. Algumas espécies de morcegos caçam insetos usando uma espécie de sonar Doppler. Algumas aves migratórias viajam milhares de milhas calibrando a sua posição através das constelações em relação à hora do dia e do ano. No espetáculo dos talentos da natureza nós somos apenas uma espécie de primatas com o nosso próprio show, a capacidade de comunicar informação acerca de quem fez o quê a quem, através da enunciação de sons que fazemos quando expiramos" – The Language Instinct (1994).
 
Fontes:

Back to the Future: Mental Time Travel in Animals

The conscious recollection of personal experiences and events in terms of:

- their details (what happened to me?)
- their spatial (where did it happen to me?)
- temporal context (when did it happen to me?) has been termed “episodic memory”.


Humans not only recollect these past experiences, but are also able to elaborate about their perceptions, cognitions and emotions they had at the time.

It was long held that such a ‘mental time travel’ is unique to humans, believing that animals have no awareness of their own past and are ‘stuck in time’, only aware of the immediate present with no idea of their past or possible future.


In the past two decades, behavioral neuroscientists and comparative psychologists have repeatedly questioned this assumption with compelling evidence suggesting that animals might indeed have the capacity to recollect unique personal experiences.



Some authors have moved even further to speculate about the possibility that animals might also be able to think about their own future and could possibly even plan for it.

The presentation addressed the evidence for the existence of ‘mental time travel’ in different animal species including non-human primates, dogs, rodents and birds.



Ekrem Dere, PhD - Conferência SPARCS (Society for the Promotion of Applied Research in Canine Science), 2015.

sábado, 23 de maio de 2015

Quando adotamos um cão devemos mudar-lhe o nome?

Esta é uma pergunta que me tem passado pela cabeça ultimamente. Embora já tenha adotado o meu patudo há mais de 5 anos… e não lhe mudei o nome. Achei que era o nome dele e que devia continuar com ele. 

A razão deve-se ao que vi, na semana passada, no programa “Companheiros de Luta” (Dogs of War). Nesse episódio reparei que nos casos de adoção apresentados disseram que a primeira coisa a fazer era pensar num nome novo para o cão adotado. 

Comecei a pensar se tinha tomado a opção certa ao manter o nome do meu cão...

Ele tem medo de pessoas, de coisas diferentes, de certos barulhos repentinos, etc. Não sabemos o que lhe terá acontecido antes de ter sido adotado que possa ter contribuído para o seu comportamento. O facto é que é medroso e reativo. No entanto, na segurança da sua casa e da sua “família para sempre” é um cão mais confiante, relaxado, brincalhão e meigo.

Lembrei-me dos primeiros tempos dele comigo, quando eu o chamava pelo nome e, em vez de vir ter comigo, agachava-se onde estava. Lembrei-me das alturas em que o chamava e ele não vinha prontamente ou vinha muito lentamente.

Teve de passar algum tempo connosco e muitos biscoitos saborosos à mistura para deixar de se agachar quando o chamávamos, passando a vir ter connosco todo contente. Confia em nós e sabe que só lhe queremos bem.

No entanto, hoje percebo claramente que o nome dele estava associado a algum tipo de carga negativa (a chamada “bagagem”) e que a minha opção em manter-lhe o nome não foi a mais acertada. Teria sido muito mais fácil para ele, e para nós, um novo começo de vida com um novo nome a acompanhar. 

Da próxima vez que adotar um cão, a primeira coisa que vou fazer é pôr-lhe um novo nome fantástico que não o faça recordar de mais nada, a não ser de tempos felizes.

Algumas razões para um cão não responder ao seu nome:
- o nome não foi ensinado ao cão;
- o cão aprendeu que ouvir o seu nome significa que ele está em sarilhos;
- o nome foi usado tantas vezes por motivo nenhum que o cão aprendeu a ignorá-lo.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Brinquedos para cães: nem todos são seguros!

Depois de fazer algumas pesquisas na internet resolvi encomendar um brinquedo de borracha com um formato específico que permite colocar comida no seu interior, de forma a possibilitar alguma estimulação mental ao meu cão.

O dia chegou e abri a embalagem com algum entusiasmo para imediatamente fazer uma careta quando o agressivo e penetrante odor do brinquedo me atingiu. Decidi logo que nem pensar em dar um brinquedo com aquele cheiro horrível para o meu cão meter boca.


Pensei que se calhar bastavam uns dias fora da caixa ao sol para perder aquele cheirete. Já passou 1 ano fora da caixa e o cheiro continua exatamente o mesmo! É um cheiro pungente a produtos químicos que não consigo definir.

Comecei então a encontrar artigos que falam dos problemas que certos brinquedos podem causar aos animais.

Brinquedos feitos de PVC (polyvinyl chloride)/ plástico e certos brinquedos de borracha contém aditivos que permitem torná-los mais suaves e flexíveis, e facilitar a sua coloração. Por exemplo, os ftalatos são produtos químicos que dão o cheiro característico ao PVC, assim, quanto mais forte for o cheiro do brinquedo, maior a quantidade de ftalatos que contem.
Molécula de ftalato (Fonte: Wikipedia)
Estes aditivos constituem um risco grave para a saúde dos cães, pois libertam-se mais intensamente em resultado da ação de mastigação (pressão mecânica), em conjunto com a saliva e o calor da boca.
Estes produtos químicos são cancerígenos, causam problemas nos rins e no fígado, alterações hormonais, bem como danos no sistema reprodutivo e sistema imunitário.

Outro risco para os animais é a ingestão de bocados arrancados ao brinquedo, ou do próprio brinquedo, o que pode resultar em bloqueio intestinal e numa visita de urgência ao médico veterinário.

Algo interessante a considerar é que vários tipos de ftalatos usados como aditivos em brinquedos para crianças foram banidos pela União Europeia. No entanto, o mesmo critério não é utilizado para os brinquedos de cães.

Uma chamada de atenção para as camas de cães feitas do mesmo material: os ftalatos são absorvidos por contacto com a pele e inalados pelos animais que dormem nessas camas.

Há muitos tipos de brinquedos que podemos dar aos nossos cães para se entreterem. Para quê arriscar a saúde canina com brinquedos que não são seguros?

Fontes:
The Dangers of Vinyl Dog Toys
Hormone-Altering Chemicals A Common Hazard In Dog Toys
Are Your Dog’s Toys Poisoning Him?
http://www.dogingtonpost.com/are-your-dogs-toys-poisoning-him/

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Zoobiquidade: O que os médicos veterinários sabem...


Zoobiquidade, o que é?

Zoobiquidade origina-se num simples mas revelador facto: animais e humanos têm as mesmas doenças, no entanto, médicos e veterinários raramente se reúnem para trocar ideias, experiências e conhecimento.
 
O termo resulta da combinação da palavra grega para “animal” – zo – com a palavra latina para “em toda a parte” – ubiquidade.
 
A Zoobiquidade aborda aspetos comuns entre animais e humanos que podem ser usados para diagnosticar, tratar e curar pacientes de todas as espécies. Baseia-se nos últimos desenvolvimentos da ciência médica e veterinária, bem como na biologia molecular e evolutiva.
 
A Zoobiquidade propõe uma abordagem integrada e interdisciplinar a nível de saúde física e comportamental, incluindo cardiologia, gastroenterologia, pediatria, oncologia, psiquiatria e muitas outras subespecialidades médicas. Procura detetar interligações entre medicina humana e veterinária com implicações clínicas para pacientes animais e humanos.
 
Existem muitas semelhanças nas doenças mais comuns que afligem tanto os seres humanos como os animais. Desde obesidade a gripe, acidente vascular cerebral a doenças sexualmente transmissíveis, disfunção sexual e automutilação, é possível descobrir correlações animais para praticamente todos problemas de saúde humanos:
  • Golden Retrievers, jaguares, cangurus e baleias Beluga têm cancro de mama.
  • Gatos siameses e Dobermans têm distúrbio obsessivo-compulsivo; muitos tomam Prozac.
  • Canários, peixes e alguns cães desmaiam quando estão sujeitos a demasiado stress.
  • Éguas podem tornar-se ninfomaníacas.
  • Dinossauros sofreram de cancro do cérebro, gota e artrite.
  • Coalas podem ter clamídia; coelhos podem ter sífilis.
  • Renas ingerem cogumelos alucinogénios como forma de escape.
  • Gorilas experienciam depressão clínica e distúrbios alimentares.
Os veterinários tratam uma enorme diversidade de espécies (gatos, cães, aves, peixes, cobras e animais selvagens), recorrendo a formas de abordagem clínica e tratamentos que os médicos humanos desconhecem.
 
A Zoobiquidade incentiva pacientes, médicos, dentistas e psicólogos a aceder à vasta e inexplorada informação e experiência dos veterinários e biólogos de vida selvagem, bem como dos animais que vivem, brincam, acasalam e que se curam nos seus ambientes naturais.
 
A Zoobiquidade permite mostrar como a medicina comparativa (interligação entre medicina humana e medicina veterinária) pode melhorar a saúde humana, transformar o nosso entendimento da natureza das doenças, bem como testar novas hipóteses e abordagens clínicas.
 
Barbara Natterson-Horowitz e Kathryn Bowers escreveram o livro Zoobiquidade e cunharam o termo.
 
Barbara Natterson-Horowitz é uma médica cardiologista (de humanos). Quando o Zoológico de Los Angeles a convidou para colaborar em alguns dos casos mais complicados de seus pacientes animais, ela descobriu que se encontrava num mundo paralelo. Os médicos veterinários providenciavam aos animais tratamentos de excelente qualidade, com a colaboração de vários especialistas, tal como acontecia com os médicos de pacientes humanos. Barbara apercebeu-se que os diagnósticos dos médicos veterinários correspondiam às mesmas enfermidades que ela encontrava nos pacientes humanos, e.g. uma piton com insuficiência cardíaca, uma cabra com asma, um rinoceronte com leucemia...
 
Kathryn Bowers é uma escritora e jornalista que ficou entusiasmada com o que esta abordagem inter-espécies poderia implicar para os médicos, os veterinários e os seus pacientes (animais e humanos).
 
 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Comportamento e Bem-Estar Animal - The Truth about Dogs and Cats





3 professoras da área de Comportamento e Bem-Estar Animal da Universidade de Edimburgo explicam que os cães não querem dominar ninguém e não formam "packs", i.e., a teoria de dominância e métodos de treino aversivos encontram-se completamente ultrapassados. Abordam também outras questões colocadas pelos estudantes do curso online.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Curso Avançado Direito (do) Animal

O ICJP (Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa) irá realizar um curso avançado de Direito (do) Animal de 4 de maio a 22 de junho de 2015, em horário pós-laboral, com aulas uma vez por semana das 18:30 às 21:15.

Esta iniciativa conta com a participação do membro cofundador e da comissão executiva da JusAnimalium.

As inscrições estão abertas até 27 de abril de 2015 e o programa abrange os seguintes aspetos, a desenvolver por módulos:
  • O estatuto do animal na Ética, na História e no Direito
  • O estatuto jurídico do animal: coisa ou “outra coisa”?
  • O animal na Natureza
  • Direito da União Europeia e proteção do bem-estar animal
  • O animal e a Economia: limites à exploração comercial do animal
  • Animais sacrificiais
  • A nova legislação sobre incriminação de maus tratos a animais
http://www.icjp.pt/cursos/4932/programa


Curso Comportamento e Bem-Estar Animal (online e gratuito)

Dia 9 de fevereiro de 2015 terá início a nova edição do curso online de Comportamento e Bem-Estar Animal ministrado pela Universidade de Edimburgo e que pode ser realizado gratuitamente através do site coursera (Massive Open Online Courses - MOOCs).

https://www.coursera.org/course/animal

O curso tem a duração de 5 semanas e abrange vários temas bastante atuais, alguns polémicos, e com interesse para a investigação científica no âmbito das emoções dos animais, incluindo animais de companhia, animais de produção e animais selvagens em zoológicos.
Alguns temas abordados por este curso são, nomeadamente: entender porque ter em conta os sentimentos dos animais é essencial para o bem-estar animal, gestão de populações de cães e gatos, ética de manter animais em zoológicos e problemas de bem-estar de animais de produção.

http://www.ed.ac.uk/schools-departments/vet/news-events/news/archive/2014/mooc-behaviour-welfare

Serão disponibilizados vários materiais de estudo, indicadas tarefas a realizar e implementados fóruns online para esclarecimento de questões.

Eu já me inscrevi e vocês que esperam?